Monday, February 27, 2006

Uma pergunta seria!

O quê que nos liga a este mundo?

Saturday, February 25, 2006

VALLEY OF TEARS

I want you to take me, where I belong
where hearts have been broken, with a kiss and a song
Spend the rest of my days, with out any cares
everyone understands me, in the valley of tears.

Some words have been spoken, so weak and low
but my mind is made up, love has got to go
spend the rest of my days, without any cares
everyone understands me, in the valley of tears.
Fats Domino

de um dia e uma noite

Como de costume, saí de inha casa e fui pegar o ônibus... ali na av. da Consolação. Sentia-me confiante, talvez por estar ouvindo músicas antigas... que escutava quando ainda era jovem. Ao chegar no ponto de ônibus um sujeito descohecido que afirmara portar uma arma me ameaçou: passa tudo senão te furo, te mato aqui mesmo... bom, eu que sou um idiota... hesitei e lhe respondi: vc me mataria assim, aqui mesmo... só por causa de uns trocos... vc iria em cana por causa disso... pior é que falei mesmo... eu estava tnao ausente no momento que tudo parecia um grande sonho fantástico... mas se for, ainda não acordei.
Acontece que o sujeito tal qual era... ficou parado também... e dois policiais chegaram... bom... história a parte... eu fui pra delegacia. Lá eu me deparei com as cenas mais estranhas que já tive com pessoas adultas.
Primeiro: um velho delegado da polícia civil, vestindo uma calça mais justa que de um Joe Ramone, uma camiseta polo, polo mesmo, tom verde água... todo baixinho e sem bunda, deu um chute numa barata que andava por aí... sua arma calibre 38, velha como ele... quase caiu para dentro da calça ou da cueca mesmo, se é que ele usava uma... A barata, por sua vez, foi lançada contra a parede e de lá, naqueles mesmo segundo, empreendeu sua deliciosa caminhada perpendicular ao chão... lindo... velho sapato de couro de jacaré contra uma carapaça marrom e suja...
Segunda: O policial que me acompanhou até a delegacia teve de fazer um depoimento por escrito e, é claro, sem rasuras... hahah. Bom, ninguém escreve sem erros... e a solução foi usar uma dessas canetas corretivas que sempre entopem... maravilha! Ver um brutamonte com seu colete a prova de balas... quase sendo enforcado por tantas roupas e músculos... ele, lá, lutando e olhando como uma criança sem jeito para a pontinha branca da canetinha... mexia pra lá e nada... apertava e nada... punha os gordos dedos e só sujeira!!! até que seu colega toma da mão do policial, cuja cara já parecia a de um autista, e começa ele mesmo a imitá-lo... não por gozação... mas por não saber o que fazer diante daquilo, e melhor, diante do delegado, aquele, que o olhava sem entender...
Terceira: a outra também legal, foi ver um delegado mais velho... sei lá qual era a sua patente... retirando cuidadosamente... com um pedaço de papelão um lindo ratinho morto... tão muidinho!!! pobre ratinho sendo transportado por aqule suorento homem... ele suava muito mesmo! Não dava para saber o que era pele e o que era suor... tudo tão inchado!
Quarta: a quarta e talvez mais cômica de todas era eu... lá ouvindo discursos sobre a bíblia e suas divisões matemáticas, suas interpretações equivocadas, ou melhor come ele dzia; as chave 9!... ??? sei lá o que era isso. Enfim, eu, mirrado, pequenino, corcunda... e de olhos baixos... só olhando e ouvindo... como faço na maior parte de minha vida... Ai ai ai,,,,,,, como a vida é estranha... um cara vai ser preso por tentar me assaltar... e, nem te conto mais... pois o resto que aconteceu e confidencial, mas creiam-me, a justiça não existe, os direitos não são dirigidos a ninguém, as leis não são aplicadas em nada... tudo o que reina nestes lugares é a insônia, os cafés e cigarros e quando dá uma chamada 'carga rápida'... algum estimulante bacana... é isso e nada mais... nada mais tenho para falar... passem por isso e vcs verão o quão estranho vcs se sentirão... tudo o que vc vive... tudo que vc pensa está lá, só que é tudo tão real (armas, sangue, prisioneiros, ratos, baratas, roubos, cafés, televisão, aguinha no copo descartável - reciclávem por mil bocas, lágrimas e gozos deixados nas pernas das mulheres que visitam os prisioneiros... tudo) tudo tão real que vc não acredita... não acredita como tudo aquilo é tão normal... normal, não por ser 'normal' para eles os bizarros, mas digo, normal por ser algo tão natural, tão infantil que até causa alegria.

Wednesday, February 22, 2006

Do amoroso esquecimento

Hoje eu li um pequeno poema do Mario Quintana... este poema me fez lembrar de uma terrível lição que posso traduzi-la assim: A minha vontade de esquecer fez tudo desaparecer, menos a minha vontade de esquecer... Será que dá para entender que angústia terrível é essa?
Bom, eis o poema dele

"Do amoroso esquecimento"
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana; um bom calmante para os ouvidos...

Dorme, ruazinha... É tudo escuro...
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sosegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos...

Dorme... Não há ladrões, eu te asseguro...
Nem guardas para acaso persegui-los...
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos...

O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão...
Dorme, ruazinha... Não há nada...

Só os meus passos... Mas tão leve são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração...

(Mario Quintana, A rua dos cataventos)

Tuesday, February 21, 2006

Todos os dias precisamos descobrir a quantidade certa de oxigênio para respirarmos.

Hoje foi um dia difícil... especialmente difícil. Acordei tonto, tonto de sono e sem forças para puxar o ar, para que encha estes meus pulmões tímidos. Hoje foi um daqueles dias que acordamos da insônia, que acordamos fechando os olhos para o dia ensolarado. Consegui, decerto, caminhar pelas ruas, ouvindo apenas meu 'discman' e me concentrando nos pequenos detalhes das sombras, mas ainda não consegui descobrir uma maneira de respirar que me seja leve e tranquilizante. Hoje tentei respirar o menos possível... tentei passar pelos ventos humanos desapercebido; tentei andar lento, pensar devagar, piscar gradualmente... tentei respirar sem a cabeça e suas máquinas barulhentas, mas, ainda assim, conseguia ouvi-las, conseguia sentir suas marteladas de ferro e ossos. Quando minha cabeça parar de maquinar... e se entregar a seus prazeres... conseguirei respirar em paz.

Friday, February 17, 2006

Parede...


Pois é... as paredes... elas nos envolvem de todas as formas.
fotografia: Francesca Woodman

Parede...


As vezes olho para parede como quem procura uma informação, um rosto conhecido de longa data, a marca de um passado que viveu distraído. As vezes olho para a parede querendo encontrar um buraco fundo que me permite enfiar a mão... as duas talvez... os braços, a boca, o tronco, as pernas, os olhos também... um buraco enorme que cabe tudo. Um buraco que me encaixo, um buraco que preenche, por breve e passegeiro que seja, os meus buracos.
obra de Brigida Baltar

de uma frase...

"O juízo de todos os espíritos é pronunciado através do nosso, a escolha de todos os corações é representada por nossa ação"
Schiller

Wednesday, February 15, 2006

dormir e acordar

Dormir e virar para o lado... abrir os olhos lentamente... e fecha-los novamente...
Dormir e deixar que sejamos arrastados, arrematado pelas ondas do sono... tal qual as do mar que levam e trazem, em igual medida, aquele corpo nosso que vai e que vem, sozinho no seu esquecimento. Sozinho balançando distraído até a hora de acordar... Até virarmos de lado e ver, e sermos vistos pelos olhos que também se aventuraram sozinhos no sono... Acordar... acordar... encontrar-se de novo com os olhos abertos.

Monday, February 13, 2006

Uma ajuda?

Alguém poderia me ajudar?
Quem quer estudar comigo levante a mão!

Sunday, February 12, 2006

O sexo

Por estranho que seja falar de sexo, por vazio que seja... é exatamente por isso que sexo é sexo. Sexo é um impulso sensível que exigimos constantemente, que o queremos para afirmar, estranhamente, a nossa existência, para torná-la sensível á nós mesmos. Pois o sexo nos domina, nos submete á sensibilidade e nos arrasta pelo tempo... ele faz de nossa existência um momento, um momento exclusivo, na qual nos desprendemos da corrente de um tempo que muitas vezes o temos apenas como contínuo. O sexo é um momento em que minha existência se revela ao passo que se perde. Ele exclui toda a sequência da forma, toda a existência abstrata, para dar vida ao presente, para dar realidade á minha vida... ele é o momento de minha morte e o momento máximo em que minha vida se torna real, se torna pura matéria... Sexo é sublime, é o absoluto em sua exstência sensível. Deu para alguém entender? Pois não precisa... apenas o tenha, apenas experimente-o.
Por que falei isso? Bom, não sei muito bem... mas acontece que neste mundo, onde reina a eloquência vazia, acabamos por deixar de lado, ou melhor, acabamos por exterminar uma experiência necessária á vida, pois ao tornar o sexo uma matemática das sensações, perdemos o que de mais importante o sexo nos dá; uma vivência para a qual não há um sentido com direções previamente determindas, não há regras, leis, normas e normalidades... há apenas um corpo que se mostra vivo e assim o faz por abandonar seus contornos, suas formas e seus conhecimentos... O sexo nos permite uma vida única, na qual não há um tempo que possamos dominar e medir, mas apenas um tempo que nos arrasta... um tempo que nos permite viver absoluta e infinitamente em seu seio. Um tempo que nos submete e que, agradavelmente, nos deixamos levar.

Saturday, February 11, 2006

Volteia em torno da fonte
A cambiante libélula,
Por largo tempo alegra o meu olhar;
Ora escura, ora clara
Tal qual o camaleão:
Ora vermelho, ora azul,
Ora azul, ora verde;
Oh, que de bem perto
Percebo agora as tuas cores!
Ela adeja e plana, nunca pousa!
Sim, ei-la pousada agora no prado.
Agarrei-a! Agarrei-a!
Desta vex observo-a de bem perto
E tudo o que vejo é um azul funéreo -
Eis o que te espera, tu, que dissecas teu prazer!
[Goethe]

Estava estudando algumas coisas e me deparei com este poema... num primeiro momento não pude perceber o que de tão assustador se encontra nestes versos... Talvez nem mesmo você o consiga. Tente, tente de mais perto. Reflexione, dobra-te sobre cada letra e veja que, assim como esta libélula, não encontraremos nada a não ser um miúdo e indistinto som... pois olhamos demasiadamente... atentamente. Esquecendo, pois, de olhar para a libélula, para o que imediatamente ela nos remete e nos faz perceber. Se atentarmos para as miudesas, afim de alcançar uma pureza do olhar... alcançamos, na verdade, o desprazer e o vazio... Em nossas vidas aprendemos constantemente a distrinchar, a repartir, separar tudo por tudo... e, qual o mérito de um perito costuramos novamente as partes para daí afirmar: eis a libélula, eis a obra de arte. Que matemática é esta que nos impulsiona a olhar para as obras de arte como se estivessemos fazendo uma autópsia? Quantas pessoas vão aos museus para analisar... se esquecendo de que uma obra de arte não pode ser entendida olhando separadamente os sentimentos e intuiçnoes por ela promovidas, mas, ao contrário, encontrando o fio condutor pela qual a obra nos faz ver seu modo ser, sua unidade interior e a forma como ela domina estas multiplas percepções...

se fosse um dia qualquer...

se ao menos...
se a janela...
se amanhã...
se não suicídio!

Wednesday, February 08, 2006

travesseiro


Ontem quando fui dormir senti meu travesseiro vibrar e mover-se frenéticamente, pra lá e pra cá. Ele, ele conversava, baixinho, comigo. Não sei o que me falava, pois meus ouvidos estavam enterrados em seu corpo, mas via-o que continuava... Ele seguia com seus gemidos, tentando pronunciar alguma coisa. Eu, sem me mexer, calei-me, pois não sabia o que deveria dizer, não sabia o que queria com aquela pequenina palavra. Ouvi-a uma vez... Ouvi-a de novo e de novo. Queria poder dizer-lhe algo, mas ele insistia somente naquela palavra. Abracei-o fortemente na intenção de silenciar aquela sua teimosia; mas não. Ele não deixava de falar-me, como se estivesse em seus últimos dias tentando expor uma verdade urgente, uma verdade que precisava ser dita a qualquer custo. Eu, por outro lado, não conseguia entende-lo e, cada vez mais, ficava irriquieto; pensando no que dizer para ele e para consola-lo. Mas suas palavras pareciam incendiar-me de tal modo que secava, e muito, minha boca... Tentei, tentei de tudo fazê-lo parar, mas toda essas empresas só incitou-o mais a dizer! A dizer: Ninguém.
Ninguém aqui para me ajudar a calar este maldito travesseiro que me recusa, que impede meu sono e não me recebe na noite frágil em que me entrego, em que me entrego profundamente ao sono íntimo e masculino. Com muito custo, chorei... já faziam 2 anos que não chorava, mas por sorte, não pude evitar. Chorei sobre ele, molhei-o com minhas lágrimas tardias. Pareceu que elas o serenaram, acalmaram aquele desespero de um sofredor que deseja acabar com a causa de tudo o que lhe faz infeliz, mesmo que acabar implique acabar com sua vida. Logo após alguns instantes, após um punhado de soluços, ele quietou-se. Ali, todo molhado, encolhendo-se o máximo, ele deixou de dizer... parou em seu sossego e deixou-se perder. Meu choro! Meu remédio! Ontem quando fui dormir meu travesseiro investiu contra mim. Atentou contra o nosso tão estimado e solidário sono. Somos eu e ele, juntos num sono só. Sabemos que somos inseparáreis, sabemos disso com a força de um primeiro amor, pois somos um do outro o primeiro amor... que nunca acaba e que nunca volta a ser um primeiro amor. Hoje, acordado, penso e sinto pena. Pena por não haver mais ninguem para dividir conosco este sofrimento.