Sigkope
Estou tendo uma síncope... seja lá o que isso quer dizer, pois hoje, sexta-feira... e agora nesta madrugada, parece-me que tudo trasncorreu tranquilamente, no entanto, minha cabeça está perdida em algum canto desta casa... ou mesmo na rua... pois não lembro do que aconteceu até este momento em que escrevo - Onde foi parar a tarde gostosa, com seu frio, com a imensidão azul? Onde foi parar tudo o que não consigo lembrar? É precipitdo se perguntar; estou ficado louco? Mas meus olhos não se abrem como de costume... o cheiro dessa carne, desse corpo em que me encaixo, não é mais o mesmo... mudou repentinamente e não consigo recordar o dia, a hora, o segundo desta mudança tão estranha. Será um derrame? Será o resultado de ter lido tão rapidamente um livro? Um livro do Julio Verne cuja realidade parece desdobrar-se duma imaginação... que coisa... tudo parece me faltar... que sensação mais estranha. Sei que saí de casa para comprar cigarro... mas como voltei? Como perdi o tempo? Meu desejo é de escrever ad ininitum... para, agora me recordo brevemente, fazer valer a primeira verdade de Descartes... cogito ergum sum... era assim? Que sensação estranha essa que estou passando! ... Algum derrame? ... acabei de ver que repito idéias... já falei em darrame. Estarei preso num tempo pré-criação? Criação? Que coisas estranhas para se pensar... mas... será que este livro me fez desmaiar e continuo em seus devaneios? Ahh... mas é tudo tão real... tão estranho. É uma síncope! Amanhã tudo voltará ao normal... mas e quanto agora? Quantas palavras giram! Aliás, por que escrevo e, ainda, por que precisamente num blog? Quantos erros de ortografia. Minha cabeça estancou? Que foi isso... o que é? Tentei ler algum livro para me distrair; a Montanha mágica... mas pareceu-me que já havia lido... algum... algum... algum... algum... minha cabeça parou. Nunca li este livro, mas que coisa!? Por quê isso agora? Ahhhhhhhhh... o que fazer quando sua cabeça para? Que leis seguir? Que raciocínios se prender... como posso voltar a me prender? Nada está se ligando... Já sei! Meus óculos! ... nada. Um dicionário dada é a solução! Abramos... e a primeira palavra é... mentecapto... hahah. Que vulgaridade! E se disser que não minto... Foi assim mesmo... mas... Vejamos novamente! Lisina... lise... lysis é o que aparece... o que me falta... o que sobra. Ahhh... nem estou bêbado... mas Lírio-do-Vale? Humm... por que o dicionário me aponta o livro gasto? Devo ler Balzac? En sério? Que coisa... este livro... que outrora pertenceu ao Themistocles Alvim de Lima em carimbo e em 1949... que fora comprado a 3 reais por mim em 10.02.05... diz em suas primeiras linhas: Amanhã saberei se me iludi amando-te.






