Sunday, May 28, 2006

Lijla

Eu não sou boba, ninguém colhe legumes no inverno...

O sol se foi

Hoje o sol se foi... tranquilo e temeroso a procura de um novo lugar para se iluminar. Talvez tenha ido para Moscow... não sei ao certo. Mas sei que foi de trem sentado na janelinha nublada, se esquentando com as mãos, abraçando os seios, pressionando as bochechas contra os joelhos... tudo muito esprimido de novidade... Ela, olhando ora para os pés ora para a janela, deixava subtamente escapar um sorriso acompanhado de uma voz aveludada, que de dentro de sua cabeça dizia... baixinho e gostoso: vamos... vamos... vamos... E assim, qual o som dos trilhos, a voz foi marchando... e sumindo... Mas, para mim que fica, fica a lembrança de seus sorrisos; aquelas explosões que vem lá do fundo... lá, onde nenhum sol consegue chegar... lá, bem lá onde se remi o amor.

Saturday, May 27, 2006

Natimorto

Não sei ao certo como era... não encontrei muita informação sobre... e posso estar muito errado... mas a idéia de que os gregos, ou qualquer que fosse a sociedade, antiga ou nova, erigia um monumento para aqueles que nasciam mortos... para aqueles que não tiveram a chance de fazerem valer seu sangue, seus braços, seus peitos, suas unhas... me faz chorar. E só para eles isso era reservado... não, não era para nenhum outro... é claro que as leis também eram escritas em pedras e expostas em praça, assim como estátuas dos deuses (em alguns casos) e heróis... mas para estes... que talvez sequer tiveram nome e corpo?!
Por quê? Por quê tudo isso para aqules que nem um suspiro puderam ter? Por quê um monumento para estes que nem vieram a enxergar? Por quê? Por quê... alguém me diga! Por que você construiria um monumento no meio da cidade para 'lembrar' desses natimortos?
P.S. hoje, de acordo com nossos satélites, o sol teve quatro grandes explosões...

Saturday, May 20, 2006

Eu, no fundo, sabia... sabia que um dia os raios do sol iriam me pegar... não há como e nem por que ser mais rápido do que ele.

Thursday, May 18, 2006

Confissões sobre o gosto

Sabemos, por nós mesmos, que temos ao menos um gosto, uma mania, um prazer íntimo; seja comer alguma coisa num ambiente específico ou com alguma calda especial, seja ouvir o barulho de um trinco que se abre ou fecha, seja cantarolar com os dedos rente a calça, seja deitar nu na cama, seja dançar escondido no banheiro, seja brincar com as orelhas alheias, seja escrever no corpo, seja estourar bexigas... todos nós gostamos de alguma coisa muito particular... que só nós podemos desfrutar num momento único e fortuito. Qual é o seu?

Tuesday, May 16, 2006

"Até as quatro horas da manhã, não se faz nada, em geral, e dorme-se a essa hora, e isso é tranquilizador, visto que o grande desejo de um coração inquieto é possuir interminávelmente o ser que ama e poder mergulhar esse ser, quando chegou o tempo da ausência, num sono sem sonhos, um sono que só possa acabar no dia da união"

Thursday, May 11, 2006

quarta-feira

Você que um dia me quis...
Hoje seria um dia normal se não fosse você e eu que me-se viram no ônibus, na rua, no mundo... Hoje seria tudo normal com meu gato afiando suas unhas inquietas em minha cadeira amarela, com minhas gastrites verdes de dor, com minhas leituras surdas de suor e meus sorrisos falsos de verdade... Hoje! Hoje eu a vi, mas pensei que não era... Não podia ser, embora meus olhos a viram e com certeza a identificaram... Era ela sim... e foi... e foi assim que a vi; rápida num ônibus acelrado de fim. Fim que já discuti... discuti e muito hoje... até perguntei e me perguntaram: meu daydreaming terá uma função criadora e funcional nesta máquina que me anula e me faz sofrer/viver... como diz meu amigo: eu sou R. L. que hoje sofre! Ou até mesmo um Silvio Pereira que hoje depôs na CPI dos bingos; o que eu realmente temo é a mim mesmo e só... Quanta loucura... Quantos olhos míopes... pois não consigo escrever 'astigmatismo', já que é isso que tenho... já nem consigo ler o que escrevo e falo.. para voltar a Silvio que não se lembra e não pode confirmar o que disse em entrevista... Meu gato mia... minha comida ficou pronta, minha cachorra corre, meu rosto recem chegado da rua sua... Tudo muito rápido... Hoje! Hoje voltei para casa, era noite e Baudelaire estava dormindo... agora escrevo... escrevo o de sempre... um cigarro mal fumado, uma boca mal beijada, um olho mal visto... um estomago mal possuido. Ruas que se cruzam em minha mente (alguns negam até meu sujeito e pessoa) e mentes que se cruzam nessa rua feia... mas que podem, ou por mim ou por ela, vislumbrar seus olhos verdes... sua faixa de cabelos verde! Verde! Verde para dormir com a idéia e a lembrança de... e lembrando; de ter presenteado uma linda mulher com um vestido verde; de que, como diz um poeta que sempe me refiro: a esperança é um urubu pintado de verde!

Saturday, May 06, 2006

Uma pergunta pessoal; para mim


- Você não vai... ?
- ... não...
- É?
- É.
- Humm...
- ...

Liberdade, outro, quanto? Quantos silêncios... por quê um e outro serão sempre cinco?
Já não entendo, por-quê tanta dor... por-quê novamente embaraços?! Já não vejo porque atender a essa voz rouca, essa que expelimos com espinhos... sendo que suas flores irão sempre permanecer às escuras do lençól...
Sei que vivemos na superfície... mas por quê não trocá-la por essa escuridão... por quê não conseguimos? O quê que há de tão urgente no dia - num único dia?! Será porque sempre haverá dia... de sol a sol? Mas, ainda, por quê não o nariz ao invés dos olhos?
São inúmeros os sofrimentos... e inúmeras as faltas... mas acaso nunca fôramos alegres? Esquecemos disso? Muitas vozes nos interpelam... muitas vozes ovimos de noite... quais me falam... quais me calam? Por quem?