O sol se foi
Hoje o sol se foi... tranquilo e temeroso a procura de um novo lugar para se iluminar. Talvez tenha ido para Moscow... não sei ao certo. Mas sei que foi de trem sentado na janelinha nublada, se esquentando com as mãos, abraçando os seios, pressionando as bochechas contra os joelhos... tudo muito esprimido de novidade... Ela, olhando ora para os pés ora para a janela, deixava subtamente escapar um sorriso acompanhado de uma voz aveludada, que de dentro de sua cabeça dizia... baixinho e gostoso: vamos... vamos... vamos... E assim, qual o som dos trilhos, a voz foi marchando... e sumindo... Mas, para mim que fica, fica a lembrança de seus sorrisos; aquelas explosões que vem lá do fundo... lá, onde nenhum sol consegue chegar... lá, bem lá onde se remi o amor.


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