As vezes me pergunto... nem como pôde ou como foi... mas por onde anda os poetas de hoje que, assim como outrora, cantaram suas paixões? Por quê não mais os vejo por ai? Por quê não mais se misturam entre os transeuntes... ou se perdem no leito vago de um quarto frio? Não é surpresa estas questões românticas, mas ainda assim... Onde?
Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divisão se erguia
Apenas entre nós - e eu vivia
No doce alento dessa virgem bela....
Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! só a via!
Música mais do céu, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!
Como era doce aquele seio arfando!
Nos lábios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!
Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
É sentir todo o seio palpitando....
Cheio de amôres! e dormir solteiro!
Álvares de Azevedo (1831-52)


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