Thursday, June 29, 2006

Dias podres

Dias podres em que nos entregamos inteiramente àqueles prazeres pueris… deixamos todo o gosto de lado, todo o comedimento moral e a medida do intelecto para voltar à vida. Escutamos as piores músicas, falamos besteiras com a irritação da fome, vestimo-nos com as roupas mais surradas e encardidas, gritamos actos e hinos adolescentes, comemos óleos e pedras, escrevemos em banheiros, rimos da cara feia com a cara lavada… Enfim… hoje escuto Iron Maiden, xingo o rico e o pobre, como pão velho com geleia da mônica, visto meias de lã furada… acrílico no último… luvas que parecem bolinhas de pêlo juntas… calça furada e camiseta com a gola até os mamilos… Tomo café a goles de prova… Grito aids, pop e repressão! Girto 'only the good die young'. Grito 'be quick or be dead' . Escrevo merda e durmo embriagado de vida.

Wednesday, June 28, 2006

Senhoras de nós


Por que no mais das vezes a tristeza é o único sentimento verdadeiro? Por que ela é tão enfática e não se deixa enganar? Tão firme em suas razões, tão robusta e afiada... Uma navalha que não se deixa esquecer. Essa senhora não se dissipa facilmente. Pouco volátil ela pesa sobre nossos rostos; muda-nos como se fossemos de papel. Sua vizinha, ao contrário, vive esquecida, distraída de tudo e de todos... não consegue sequer trançar coisa alguma. Perde-se no caminho como fumaça ao vento...
Duas senhoras de nós... duas engomadeiras que fazem da nossa sorte a vida e a fortuna.

Thursday, June 15, 2006

Quarta-Feira... nunca acaba...


O dia segue... escorrendo todo em minhas mãos. As letras somem ao meu olhar desatento e em nada somam... escritores de tempos imemóriais, reflexões intempestivas... teorias e teorias. Nenhuma forma viva, nenhum impulso, nenhuma nova saliva! Já foi 'fim do dia'... nada fiz, nada fiz que valesse a pena... ou o peso dessas horas em meu rosto. Sinto que preciso do som silêncio! Que preciso de um mergulho profundo em águas tão frias, tão densas, tão dolorosas que comprimem meus pulmões e apertam meus olhos... Sinto... se aproximar... sinto... o frio cravar sua faca de gelo... sinto-o em meu seio. É preciso... é preciso prender a respiração... o deserto se aproxima. Já não há verdade, não há razão, já não há mentira... somente o frio... somente o sangue. Hoje tudo foi permitido... mas não... não... tive medo... tenho... vamos! É agora! Vamos... tudo é falho, tudo é contingente, tudo pode acabar rapidamente. Vamos... antes que nos habituemos! Vamos! 1... 2... 3... e já!

I am lying in my bed

I am lying in my bed
Watching spider eat the fly
I say :"How is that is breakfast TV for you"
A little later I'm sitting by the window looking out
The red army is really blowing up the street

I'm too stale to eat breakfast
So I smell my fingertips
A cup of coffee won't do for me

How days creep by in the greying sky
How days creep by and they never even try
How days creep by in the greying sky
How days creep by

Guess it's time for a walk
Just to read some license plates
What is autumn doing creeping up to me
Going on the tube to scream when the train arrives
Rubbing cress on my skin, God it smells so nice
All the same I'd think I'll go on rolling up the hill
If I'm lucky you won't see me

How days creep by in the greying sky
How days creep by come and ask me why
How days creep by in the greying sky
How days creep by

Did you know that tuna fish
Float up to the surface
Belly to the moonlight just to cool down their heart down
'Cause it helps them just to think about the hurtful things
I guess it's just one wait to get them some sedation

How days creep by - In the greying sky
How days creep by - And they definitely die
How days creep by - In the greying sky
How days creep by

How days creep by - And they definitely die
How days creep by come and ask me why
How days creep by
How days creep by

Friday, June 09, 2006

O nascimento de uma nova criatura...

Um choro comedido... algumas lágrimas... e vários risos, alegres e promissores... Hoje foi mais um dia de grandes e pequenas emoções. Me fez até lembrar de uma terrível lição koreana: ria... e todos rirão com você... chore... e chorará sozinho. Enfim... uma menina... agora uma mulher... um pai... agora um senhor de si... e sim... eu, sempre eu... agora um novo sonhador.
É engraçado, mas anos de conversas, de reflexões familiares, sem nada germinar... fez crescer, assim, de repente, uma idéia, ou melhor, um contrato imoboliário... Uma nova casa; uma casa no sentido de G. Bachelar. Um novo ninho... Bom para mim, para meu pai, e para minha irmã com sua nova casa também. Todos com suas novas casas... eu, sem uma casa física, nova, ainda me contento com a casa engraçada; dequela cantiga de quando éramos criança... Pois lá soube... que viver e dormir são coisas essenciais... e que basta uma grande imaginação para se ter tudo isso.

Tuesday, June 06, 2006

Colo de chuva

Eu estava ali, parado... Travando meu maxilar com a força do cenho. Minha face, num segundo breve, estremeceu e uma lágrima, agora, pende... Os cilhos se ajuntam, molhados até as pontas... mas nada, mas nada... E todos me encaram - O que será? O que vai... Ranjo os dentes, enfio as mãos cerradas nos bolsos do agasalho, abaixo a cabeça e olho... e olho para o chão que se move sob mim... caminho e caminho... meu coração acelera, mais e mais... degraus passam rápidos, lixo, bitucas, baratas, enfim... pessoas que aqui já não se vê... Uma gota, então, fria e rápida... des...penca... dos céus aos meus olhos... Chuá... Chuá...

Monday, June 05, 2006

Herói de festa

Hoje, terminando uma grande dor-de-garganta, perguntei a mim se poderia acaso ter algum sentido em tudo o que falo e escrevo... Sentido, digo, alguma força escondida que impulsiona a ação, pois não me está adiantando falar e escrever com perspicácia e compenetrado nos assuntos todos. Já pouco acredito, já pouco acho, já pouco sei... é melhor ser mercador de armas na África que mero transeunte em São Paulo. Melhor? hum... erros e vícios deste pensamento que nada pode com nada... apenas se pensa... Não é melhor. É, apenas é.

Thursday, June 01, 2006

É provável, isto é, cientificamente indemonstrável, que um dia ficarei surdo, pois a lógica estabelece suas razões (haha): muita música direta nos ouvidos = surdez precoce... Socorro, tenho medo desta lógica da possibilidade que nada prova, mas que provoca a hipocondria em todos!!! Não quero ficar surdo, mas sem música direta nos ouvidos ficarei mudo!

Por quê?

Uma conversa que nunca termina... que nunca deixou de começar... é assim que me sinto quando vejo que alguém me fala com dedos. Inventa-se sempre argumentos para nunca terminar e nunca começar um assunto... só introduzimos palavras vazias num discurso perdido. Não, não estou falando de Beckett ou Kafka, mas do meu dia-a-dia. Perdemos horas inteiras com essas palavras-vazantes... É certo, sim, que nada pode permanecer para sempre; mas será que a confiança tem de se perder para dar início ao novo? Mas, se for assim mesmo, que haveria de novo se nunca pôde-se estabelecer nenhuma relação duradoura? Tudo sendo e por todos lados uma contínua desconfiança sem precedentes... É, parece que sim... Desconstruir... a grande palavra moderna para todo pensamento, isto é, para a dita profundidade; obtusa! Me entristesse ver que conhecidos de longa data se 'enganam bravamente' com essas idéias: nossa, perdi a hora... beijos. E foi-se, assim, toda confiança. Mas, com aquele "oi" promissor eu me volto... e deixo novamente me iludir... e iludindo falo ao outro como se não mais desconfiasse. Minha mentira... minha dor que engulo a seco. Não, não quero... não posso mais mentir... não posso mais lhe falar assim. Se existem razões para que seja assim, eu tenho as minhas para eu não ser assim... Assim como o sol... eu também partirei em busca de outro dia. Até mais.