Monday, April 30, 2007

Não serei educado

Talvez como Píndaro "minha alma, não aspira à imortalidade: esgota o campo do possível". São muitas as coisas a se fazer... Talvez não queira ficar num livro. Talvez não queira ficar numa foto. Talvez nem queira... ou apenas queira.
Aquele gritou por amar primeiro... este grita por achar que um dia irá amar. Eu já não grito... como disse, falo como todos e amo como todos, para poder gritar. Aquele perdeu-se e, este, nunca irá encontrar-se... Eu não... não sei. Não me venhas com negócios. Não me venhas com querelas estrangeiras. Não me venhas com histórias. Estou vivo e apenas não sei viver. Não sei viver, mas estou vivo como um grito que nunca pode-se esquecer.

Monday, April 23, 2007

Uma toalha suja...

Já faz duas semanas que tento esconder uma toalha... Não sei bem o que aconteceu, não sei como o tempo passou tão rápido... como tão rápido esqueci o que me aconteceu. Ela ainda está suja... Todas as outras toalhas já passaram... Só esta e bem esta ainda perdura em minha porta, pendurada como um quadro velho sujo e esquecido. Hoje me dei conta de quão estranho e nojeto isso é. Deixei uma imundice pendurada, deixei um péssima memória parada na porta... nem eu entro... nem ela sai. Paramos. Uma ressaca agora recai... sobre mim. Não sei como, não adianta perguntar... ela ficou por duas semanas em meu quarto. Amanhã, sim... irei lavá-la, mas como? É uma toalha suja, dessas que escondem toda a nossa desgraça. Como lavá-la? Nem omo, nem ariel, nem minerva, nem assim... Já manchou.

Saturday, April 21, 2007

Esconde-Esconde

Suave o som
Que a pastorear estava
Lá de longe... e bem longe
Escusos todos jogavam,
A espera de ser na ponte
Salvo e seguro o bom

Por trás da hera
Sem respiro,
Sem miar,
Sem espiar.
Bem escondido,
O último era.

Quem agora apura
Não corre.
Quem agora se esconde
Não move...
Onde? Onde?
É tempo de lisura...

Nem bom, nem fera
Nem salvo, nem perdido
Na fronte... uma quimera
A citar virtudes que nunca fizera.

Felicidade

Um fantasma escondido no espelho

Monday, April 02, 2007

Paraguai é Japão de ponta cabeça

Para você que não conhece alguém mais alegre que você... um cachorro de orelhas peludas, comida indigesta, amigo difíceis e um bibelô do japão...


Auauuu muito bom! Seja você quem for...

Estranha razão

É preciso apenas um motivo para não deixar de viver
E eu já o tenho...
Pena que ele também morre.

Dromin

Eu dormi com dramin, mas isso não vem ao caso. Acontece que ontem andei por vários lugares conhecidos. Centro de tudo e tudo pararecia mudado. Cadê minhas pernas que andavam ligeiras ao som do brega? Cadê minha barriga que se enchia de mate-com-leite? Minha boca de abacatada da rua nova barão... Cadê meu rosto nulo? Cadê os velhos desencontros... placas vazias! História contada... agora em placas e avisos. Centro... desertos de moradores. É verdade, é tudo verdade. Um velho se isola para dar lugar ao novo que... chega! Sim, viva aos projetos urbanos, sim, viva às boas novas! O centro... tão íntimo e tão velho. Cadê aquele velho homem do saco vazio, a mulher do pescoço e do sorriso flutuante? Cadê a história do homem e seu cachorro bípede? Os peruanos viraram chilenos, paraguaios... bolivianos nativos do centro. O centro, cidade e cenário de filme não terminado, cadeira vazia de um povo sem almoço. República dos bancos, São Bento da... ops dos cafés. Não sei... não sei... não sei. Não, não sei! Cadê? Fui eu quem mudei? O centro está ali... já não posso mais olhá-lo. Deêm boas vindas às reformas, às empreitadas financeiras do bem-estar! Viva Keynes, viva. Ah, mas o que é tornar o centro 'habitável'? Desconfortável... encosto e apoios baratos para uma tragédia urbana. Não, nunca! Ah, mas pelo menos estava lá: meu messias! Na corda bamba balançava... Pregava seus pés na corda que tensionava... para lá e agora para cá. Suaaava na camisa-da-força... era jesus ali na barata e barata estampa. Cabelos grisalhos, assanhados com o zúm zúm zúm, contavam o épico dos papéis-jornal... Acontece que ele já não mais fala, ele diz... não se escuta, se lê... ou no máximo se houve... alguém que pensa ser Jesus... decerto é o da Pentecostal. Acontece que ele não é mais aquele palhaço de Fellini, já não faz o sorriso com o milagre, com o milagre do sorriso, ele chora de pé... descalço ele grita o choro que há muito tempo desistira de ter. Acontece que ele não mais ri, ele não chora... ele diz, ele conta, ele percebe. Pastor tercerizado, ouvinte espetaculizador; uma soma muito curiosa. Já é... já estou cansado... Acontece que andando pelo conhecido espaço de minha alma encontrei apenas um estranho correndo. Acontece que devo todo dia dormir mais... mas um pouco... não consigo dormir.

p(r)onto). s(ocorro). Vocês já viram o moderno faquir? O faquir dos cacos de vidro verde de sangue-de-boi? Como é bom falar isso: cacos de vidro verdes de sangue de boi... Vocês já se perguntaram o que seria de ti se acreditasse num pastor de rua? Hah! pois bem... se eu acreditasse neles não acreditaria na política, na história, na poesia... Mas acaso acredito nisso? É, e você acredita em quê... m?