Senhoras de nós

Por que no mais das vezes a tristeza é o único sentimento verdadeiro? Por que ela é tão enfática e não se deixa enganar? Tão firme em suas razões, tão robusta e afiada... Uma navalha que não se deixa esquecer. Essa senhora não se dissipa facilmente. Pouco volátil ela pesa sobre nossos rostos; muda-nos como se fossemos de papel. Sua vizinha, ao contrário, vive esquecida, distraída de tudo e de todos... não consegue sequer trançar coisa alguma. Perde-se no caminho como fumaça ao vento...
Duas senhoras de nós... duas engomadeiras que fazem da nossa sorte a vida e a fortuna.


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