Colo de chuva
Eu estava ali, parado... Travando meu maxilar com a força do cenho. Minha face, num segundo breve, estremeceu e uma lágrima, agora, pende... Os cilhos se ajuntam, molhados até as pontas... mas nada, mas nada... E todos me encaram - O que será? O que vai... Ranjo os dentes, enfio as mãos cerradas nos bolsos do agasalho, abaixo a cabeça e olho... e olho para o chão que se move sob mim... caminho e caminho... meu coração acelera, mais e mais... degraus passam rápidos, lixo, bitucas, baratas, enfim... pessoas que aqui já não se vê... Uma gota, então, fria e rápida... des...penca... dos céus aos meus olhos... Chuá... Chuá...


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