Saturday, February 25, 2006

de um dia e uma noite

Como de costume, saí de inha casa e fui pegar o ônibus... ali na av. da Consolação. Sentia-me confiante, talvez por estar ouvindo músicas antigas... que escutava quando ainda era jovem. Ao chegar no ponto de ônibus um sujeito descohecido que afirmara portar uma arma me ameaçou: passa tudo senão te furo, te mato aqui mesmo... bom, eu que sou um idiota... hesitei e lhe respondi: vc me mataria assim, aqui mesmo... só por causa de uns trocos... vc iria em cana por causa disso... pior é que falei mesmo... eu estava tnao ausente no momento que tudo parecia um grande sonho fantástico... mas se for, ainda não acordei.
Acontece que o sujeito tal qual era... ficou parado também... e dois policiais chegaram... bom... história a parte... eu fui pra delegacia. Lá eu me deparei com as cenas mais estranhas que já tive com pessoas adultas.
Primeiro: um velho delegado da polícia civil, vestindo uma calça mais justa que de um Joe Ramone, uma camiseta polo, polo mesmo, tom verde água... todo baixinho e sem bunda, deu um chute numa barata que andava por aí... sua arma calibre 38, velha como ele... quase caiu para dentro da calça ou da cueca mesmo, se é que ele usava uma... A barata, por sua vez, foi lançada contra a parede e de lá, naqueles mesmo segundo, empreendeu sua deliciosa caminhada perpendicular ao chão... lindo... velho sapato de couro de jacaré contra uma carapaça marrom e suja...
Segunda: O policial que me acompanhou até a delegacia teve de fazer um depoimento por escrito e, é claro, sem rasuras... hahah. Bom, ninguém escreve sem erros... e a solução foi usar uma dessas canetas corretivas que sempre entopem... maravilha! Ver um brutamonte com seu colete a prova de balas... quase sendo enforcado por tantas roupas e músculos... ele, lá, lutando e olhando como uma criança sem jeito para a pontinha branca da canetinha... mexia pra lá e nada... apertava e nada... punha os gordos dedos e só sujeira!!! até que seu colega toma da mão do policial, cuja cara já parecia a de um autista, e começa ele mesmo a imitá-lo... não por gozação... mas por não saber o que fazer diante daquilo, e melhor, diante do delegado, aquele, que o olhava sem entender...
Terceira: a outra também legal, foi ver um delegado mais velho... sei lá qual era a sua patente... retirando cuidadosamente... com um pedaço de papelão um lindo ratinho morto... tão muidinho!!! pobre ratinho sendo transportado por aqule suorento homem... ele suava muito mesmo! Não dava para saber o que era pele e o que era suor... tudo tão inchado!
Quarta: a quarta e talvez mais cômica de todas era eu... lá ouvindo discursos sobre a bíblia e suas divisões matemáticas, suas interpretações equivocadas, ou melhor come ele dzia; as chave 9!... ??? sei lá o que era isso. Enfim, eu, mirrado, pequenino, corcunda... e de olhos baixos... só olhando e ouvindo... como faço na maior parte de minha vida... Ai ai ai,,,,,,, como a vida é estranha... um cara vai ser preso por tentar me assaltar... e, nem te conto mais... pois o resto que aconteceu e confidencial, mas creiam-me, a justiça não existe, os direitos não são dirigidos a ninguém, as leis não são aplicadas em nada... tudo o que reina nestes lugares é a insônia, os cafés e cigarros e quando dá uma chamada 'carga rápida'... algum estimulante bacana... é isso e nada mais... nada mais tenho para falar... passem por isso e vcs verão o quão estranho vcs se sentirão... tudo o que vc vive... tudo que vc pensa está lá, só que é tudo tão real (armas, sangue, prisioneiros, ratos, baratas, roubos, cafés, televisão, aguinha no copo descartável - reciclávem por mil bocas, lágrimas e gozos deixados nas pernas das mulheres que visitam os prisioneiros... tudo) tudo tão real que vc não acredita... não acredita como tudo aquilo é tão normal... normal, não por ser 'normal' para eles os bizarros, mas digo, normal por ser algo tão natural, tão infantil que até causa alegria.

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