Sunday, February 12, 2006

O sexo

Por estranho que seja falar de sexo, por vazio que seja... é exatamente por isso que sexo é sexo. Sexo é um impulso sensível que exigimos constantemente, que o queremos para afirmar, estranhamente, a nossa existência, para torná-la sensível á nós mesmos. Pois o sexo nos domina, nos submete á sensibilidade e nos arrasta pelo tempo... ele faz de nossa existência um momento, um momento exclusivo, na qual nos desprendemos da corrente de um tempo que muitas vezes o temos apenas como contínuo. O sexo é um momento em que minha existência se revela ao passo que se perde. Ele exclui toda a sequência da forma, toda a existência abstrata, para dar vida ao presente, para dar realidade á minha vida... ele é o momento de minha morte e o momento máximo em que minha vida se torna real, se torna pura matéria... Sexo é sublime, é o absoluto em sua exstência sensível. Deu para alguém entender? Pois não precisa... apenas o tenha, apenas experimente-o.
Por que falei isso? Bom, não sei muito bem... mas acontece que neste mundo, onde reina a eloquência vazia, acabamos por deixar de lado, ou melhor, acabamos por exterminar uma experiência necessária á vida, pois ao tornar o sexo uma matemática das sensações, perdemos o que de mais importante o sexo nos dá; uma vivência para a qual não há um sentido com direções previamente determindas, não há regras, leis, normas e normalidades... há apenas um corpo que se mostra vivo e assim o faz por abandonar seus contornos, suas formas e seus conhecimentos... O sexo nos permite uma vida única, na qual não há um tempo que possamos dominar e medir, mas apenas um tempo que nos arrasta... um tempo que nos permite viver absoluta e infinitamente em seu seio. Um tempo que nos submete e que, agradavelmente, nos deixamos levar.

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