Parede...

As vezes olho para parede como quem procura uma informação, um rosto conhecido de longa data, a marca de um passado que viveu distraído. As vezes olho para a parede querendo encontrar um buraco fundo que me permite enfiar a mão... as duas talvez... os braços, a boca, o tronco, as pernas, os olhos também... um buraco enorme que cabe tudo. Um buraco que me encaixo, um buraco que preenche, por breve e passegeiro que seja, os meus buracos.
obra de Brigida Baltar


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