Wednesday, September 27, 2006

Neblinas...


Quantas vezes encerramos vaga-lumes em copos com furinhos para vê-los piscar... ou o guardamos em nossas mãos... só para espiar aquele flerte eterno? Tentávamos capturar borboletas, besouros, tatu-bola, bolhas-de-sabão, joaninhas, lagartixas, cigarras, luas minguantes e a até mesmo fumaça e vapor. Deitávamos os olhos rente ao chão para ver coelhos roendo gramas verdes e saltitando desengonçados... para bem longe de nós. Ajudávamos até aranhas, mas nunca sentíamo-nos agradecidos. Testávamos inúmeras casas para tais criaturas... mas sempre falhavam. Tive até um caracol, desses com três anteninhas... verde e úmido... todo pomposo! Ele, ou melhor, ela se chamava Tita... e vivia em nosso minúsculo jardim, que era na verdade um balcãozinho forrado de terra e plantas descuidadas; uma verdadeira selva! De lá ela caiu e quebrou seu casco... que asco! Suas anteninhas se comprimiram e ela morreu... sabe-se lá por que era tão importante aquela casinhas... Nós erámos ingênuos, amávamos do jeito que dava... tudo o que queríamos era compartilhar a nossa casa... uma grande armadilha! Armadilha que evitamos aceitar até hoje. Como é possível, com tanto amor e apreço, tal incompatibilidade? Por que nos é tão difícil captar a dureza das coisas... e quão mais difícil ainda é capturar suas mudanças... Um vaga-lume não o é parado. Assim como uma neblina não é água... e nem água é água parada, um amor não está para o tempo... e nem o tempo está para nós. Mas que fazer se a vida transcorre e o amor fica? Guardá-lo numa caixinha?

1 Comments:

At 12:47:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Ops... faz uma semana que descobri que fui eu quem a matei... ops. não me lembro, mas enfim... é isso. amava-a e a matei

 

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