Hum...
Na grande maioria das vezes nós deixamos de fazer, falar e até mesmo olhar pelo simples fato de consideramos tal ação algo de injusto ou inadequado. Mas isso não significa que não gostaríamos de fazê-lo... mas somente que deixamos de agir por acreditar ou numa certa ordem natural das coisas humanas ou por entrever uma possível repreensão. Talvez seja por isso mesmo que certas pessoas levam vantagem sobre nós; por fazerem exatamente o que não se faria, isto é, o fazem por saberem que provávelmente ninguém teria tal liberdade e que ninguém se atreveria a repreendê-los, pois não o poderiam já que em última instância tal sujeito realizou aquilo que ninguém teria capacidade de fazer... mesmo que isso lhes prejudiquem. Sim, imaginemos o pior dos vilões... aquele que realizaria todos nossos desejos mais cruéis e que viveria apenas para realizá-los. Não teriam estes sujeitos uma grande função? Não seriam eles mesmos os defensores da liberdade? Não seriam eles quem nos fornece o conceito de humano? Sim, óbvio que sim, mas o que precisamente lhes pertecem que a nós nos é negado? Qual seria o fator determinante para estas realizações? Tais atribuições lhes garantem uma 'felicidade'? Hum... nosso desejo de sermos dignos para todo o sempre não seria uma contradição em termos? Sermos dignos ao passo de sermos desleais com nossos impulsos... Dignidade pela metade? Hum... Cadê aquele que me completa? Cadê aquele que me faz por inteiro e me dispensa das 'sujas' atribuições? O pior é que parece-me que tais 'sujeitos' sentem-se desprestigiados por nós e nós por eles... Sendo assim... vivemos, nós e eles, diminutos e imperfeitos... fazemos tudo às avessas; desejando o bem fazemos mal, implicando o bem tornamo-nos injustos... Embora possa parecer confuso essas invisíveis fronteiras, acredito ser de todo o necessário nos remontar a tais cisões, pois apenas assim nos serão garantidas as decisões e consequentemente as desculpas...


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