Wednesday, September 20, 2006

Hoje pude dormir cedo...


Hoje pude dormir cedo... não sabia ao certo se estava indisposto, já que faz alguns dias que sinto meu fígado saindo pela boca... ou se estava apenas cansado da montanha-russa dos meus horários. Acordar cedo, dormir cedo, dormir à tarde, dormir tarde, acordar de tarde... não dormir. Enfim, fui dormir às 10:15pm... algo raro se passava, pois não fiquei maquinando idéias por longas horas na cama; apenas capotei. Mas tive uns sonhos terríveis, desses que nos fazem parecer cachorro sonhando: respirando forte e cortadamente; bufava como baleia após horas em baixo d'água. Uma parte de meu sonho consistia na seguinte imagem: pessoas incertas e sem motivos jogavam ao chão pedaços - somente as patas de trás e a bunda com seu rabo cortado que as unia - dequeles cachorros minúsculos e bege. Sim, vários pedaços espalhados por toda a casa. Não busco nenhuma interpretação, mas sei que aquilo me pertubou; não pelos cachorros em si, mas por saber que pessoas o faziam... e não por serem pessoas, mas por estarem muito perto de mim... me rodeando. Acordei com muito sono e muito custo... mas era necessário. Tentei assistir televisão para diluir tais imagens da minha cabeça... nada resolve... só havia sangue transbordando pela tela. Não nos damos conta de quanto sangue-falso vemos todos os dias. Não sei se isso é ruim, afinal sentimo-nos instigados por tais acontecimentos... talvez faça parte de nossa qualidade contemplar a morte. O sangue é denso e exige muita habilidade. Faz alguns dias que não pára de ventar à noite... um vento robusto e assustador que martela a minha janela. Nunca gostei desses ventos que parecem multidões fugindo desconcertadas de alguma fera. Já não posso mais dormir... quando o sol vier; um par de horas me restam e sem os olhos para ler e o silêncio para romper... posso apenas escrever... e o cenho frazir. Lembrar de ana mendieta e me perguntar: o que faz o coração de uma vaca?

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