Tuesday, March 07, 2006

Da voz

Todos os dias nos deparamos com vozes e mais vozes... ora, não seria tão difícil aceitar todas estas palavras se não tivessemos nós uma voz própria. Pois bem, "eu não queria ter de entrar nesta ordem arriscada do discurso; não queria ter de me haver com o que tem de categórico e decisivo; gostaria que fosse ao meu redor como uma transparência calma, profunda, indefinidamente aberta, em que os outros respondessem a minha expectativa, e de onde as verdades se elevassem, uma a uma; eu não teria snão de me deixar levar, nela e por ela, como um destroço feliz". Mas... infelizmente não somos um espelho, não só guardamos as coisas refletidas, como distorcemos, aparamos e criamos mais e mais vozes. Um grande ardil; lembrar e ser lembrado... ter sido alegre e não conseguir ser de novo.

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